REVISTA DE TEATRO

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8/12/06

“NATAL SOLIDÁRIO AÇOS VILLARES”

“NATAL SOLIDÁRIO AÇOS VILLARES” LEVA ALEGRIA A 160 CRIANÇAS E ADOLESCENTES CARENTES DE SOROCABA, PINDAMONHANGABA E MOGI DAS CRUZES

No período que antecede as festas natalinas, a Aços Villares (www.villares.com.br), sempre em sintonia com sua política de responsabilidade corporativa, promoverá festas de Natal com distribuição de presentes para cinco instituições. No total, 160 crianças e adolescentes carentes de 0 a 19 anos serão beneficiados pela ação.

A empresa busca desenvolver esforços em prol das comunidades de Sorocaba, Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, onde estão as suas usinas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos segmentos mais carentes da sociedade.

A Aços Villares tem a filosofia de uma empresa cidadã e também exercita a responsabilidade social no seu dia-a-dia visando a formação de um ser humano participativo e consciente de seu papel.

Com a participação de todos os colaboradores e um total envolvimento da alta administração em cada um dos projetos sociais, a Aços Villares tem conseguido levar mais esperança para crianças e jovens.

A ação:

Uma linda árvore de Natal natural será enfeitada e um cenário temático será montado. A contadora de história prepara as crianças e adolescentes para o clima de Natal e recepciona Papai Noel que distribui brinquedos, guloseimas, roupas para meninos e meninas, kit de higiene, além de um delicioso bolo, servido no final do evento. A árvore de Natal será doada à instituição e plantada no jardim. O evento será produzido pela Trevisan Publicidade & Eventos (www.trevisanpublicidade.com.br).

Serviço:

“Natal Solidário Aços Villares”

Dia 13.12 às 10h00 – Abrac

Estrada Antonio Gregório de Paula, s/n – Jardim Aracy – Mogi das Cruzes - SP

Dia 13.12 às 14h00 – Casa da Criança

Av. Valentina de Melo Freire Boreinstein, 764 – Vila São Francisco – Mogi das Cruzes – SP

Dia 14.12 às 10h00 – Lar da Criança e do Adolescente Nova Esperança

Rua José Benedito Romão Júnior, 91 - Santa Cecília - Pindamonhangaba – SP

Dia 15.12 às 10h00 – Casa do Menor

Rua Professor Toledo, 99 – Centro – Sorocaba – SP

Dia 15.12 às 14h00 – Associação Refúgio

Rua Floriano Peixoto, 264 – Vila Carvalho – Sorocaba - SP

Sonia Kessar - Assessoria de Imprensa

Fones (11) 5589-5991 / 8143-2271 / 8395-2469

imprensa@soniakessar.com.br / kessar@terra.com.br

www.soniakessar.com.br

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6/12/06

Lançamento do livro “Encenação em Jogo”

   Não percam!Nesta sexta-feira!

Lançamento do livro “Encenação em Jogo - espaços e textos como partida de criação“,de Marcos Bulhões(Prof.Dr.pela USP e coordenador do curso de Cênicas no Rio Grande do Norte)e PALESTRA sobre DRAMATURGIA.

LOCAL : CAC WALMOR CHAGAS,em SJC.
DATA : dia 08 de dezembro, às 20 hs.
INFORMAÇÕES:(12)3943-2428/9704-2823

ENTRADA FRANCA!

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4/12/06

ESPETÁCULO DE NATAL DA FONTE MULTIMÍDIA

DEZ MIL PESSOAS JÁ ASSISTIRAM AO
ESPETÁCULO DE NATAL DA FONTE MULTIMÍDIA !
 

Público lotou o entorno do maior lago do Parque Ibirapuera para ver a dança das águas e as 1,2 milhão micro-lâmpadas instaladas nas árvores que beiram o lago.

São Paulo, dezembro de 2006 – Nos dois primeiros dias da apresentação especial de Natal da Fonte Multimídia do Parque Ibirapuera, dias 2 e 3 de dezembro, promovida pelo Grupo Pão de Açúcar, dez mil pessoas lotaram o entorno do lago principal para ver a dança das águas, ouvir canções tradicionais de Natal e se maravilhar com as 1,2 milhão micro-lâmpadas instaladas nos altos troncos das árvores que ladeiam o lago.

Desde 2004, o Grupo Pão de Açúcar promove, no mês de dezembro, uma programação especial de Natal na Fonte Multimídia do Parque Ibirapuera. Este ano, até o dia 25 de dezembro, a maior rede de supermercados do país presenteia a população com dois espetáculos diários, às 20h30 e às 21h. Eles revivem a tradição natalina com músicas típicas, novas coreografias para o balé das águas, luzes coloridas e 1,2 milhão de micro-lâmpadas instaladas em 220 árvores que beiram o lago da Fonte.

O “grand finale” do show de sincronia entre músicas de Natal, luzes coloridas e jatos de água em movimento se dá com o acendimento das micro-lâmpadas, ao som de John Lennon entoando seu famoso hino de Natal pela paz. Essas micro-lâmpadas foram instaladas nas árvores por dez eletricistas e quatro escaladores de árvores. Outros números dimensionam bem a grandeza do evento: além das 1,2 milhão de micro-lâmpadas, os 10 km de fios utilizados têm o suporte de dois geradores de 450 kva cada, suficientes para abastecer uma cidade de dez mil habitantes.

A trilha sonora do espetáculo é formada, entre outras, pelas músicas: Jingle Bells (gravação de Frank Sinatra), Aleluya (de Händel), O Quebra-Nozes (de Tchaikovsky), Panis Angelicus (gravação de Andrea Bocelli), Seleção de coros natalinos infantis, Silent Night (gravação de Luciano Pavarotti) e Christmas (gravação de John Lennon).

Presente do Grupo Pão de Açúcar pelo aniversário de 450 anos da cidade de São Paulo, a Fonte Multimídia está localizada no maior lago do Parque Ibirapuera. Ela é uma instalação flutuante de 110 metros de comprimento por 2 metros de largura que movimenta cerca de 60 mil litros de água por minuto. Cada torre de água da Fonte é capaz de movimentar 24 jatos verticais com até 15 metros de altura. Além da possibilidade de realizar até 15 coreografias especiais, a fonte tem capacidade de projetar um gêiser de 60 metros de altura, equivalente a um prédio de 20 andares. Oito setores de iluminação possibilitam a geração de 60 tonalidades diferentes de cores para colorir os jatos. O projeto de sonorização (10 mil Watts de potência) foi dimensionado de forma que a difusão do som se restrinja única e exclusivamente ao perímetro do lago.

SERVIÇO

Mês de Natal na Fonte Multimídia do Parque Ibirapuera

Quando: diariamente, de 2 a 25 de dezembro de 2006.

Horário das apresentações: 20h30 e 21h00 (reapresentação)

Parque Ibirapuera - Avenida Pedro Álvares Cabral s/n - Grátis

PARA MAIS INFORMAÇÕES:

Edelman Brasil

Telefone: (11) 3017-5300

Com Osmar Maduro (osmar.maduro@edelman.com),

Ewerton Silva (ewerton.silva@edelman.com)

ou Letícia Lyra (leticia.lyra@edelman.com)

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Autor disponibiliza Texto

Disponibilizo " A Guerra " .Um super espetáculo!

Texto para 10 atores. Cenário: A guerra dos Emboabas ( 1710).Uma visão anarquista do conceito de pátria, uma demonstração que a guerra é um ser vivo e nos leva por caminhos cruéis e inimagináveis`.É ela que nos conduz e nos transforma.Imagine Camões voltando a vida para nos contar os últimos duzentos anos de glórias de Portugal e o porque uma reino, por Deus tão favorecido, acabou por ele abandonado depois desse conflito.
Procuro CIA para a montagem desse espetáculo

Contato:

Cassio29@terra.com.br

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3/12/06

Sinal de Alerta - Cia. Chico Science de Teatro SP

Olá pessoal, estou convidando vocês para assistirem o primeiro espetáculo teatral da Cia. Chico Science de Teatro.

A Cia. Chico Science de Teatro convida você para assistir no Sábado dia 16 de Dezembro as 20:00h a apresentação da peça:

                         “Sinal de Alerta”

        Única Apresentação !

Elenco:
Alê Beatnik
Régis Schazzit
Karina Yanata
Emerson Ferreira
Jana Costa
Whanderson Rosni
Elidiane Rocha
Michael Santos
Laú Neta

Texto e Direção:
Whanderson Rosni

Local: Casa de Cultura Chico Science
Rua: Abagiba,20 – Moinho Velho – Ipiranga
Informações: Tel.: 6969-7066
Ingresso: Gratuito

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2/12/06

A dívida da República com a capoeira

CULTURA E IDENTIDADE

A dívida da República com a capoeira

Transformada de arma da vadiagem em instrumento de educação, a capoeira vem cada vez mais sendo reconhecida como elemento de identidade da cultura brasileira disseminada por todo o mundo.

Eduardo Carvalho - Carta Maior

Os principais mestres brasileiros de Capoeira estiveram reunidos nesta terça-feira, dia 21 de novembro, durante o I Seminário do Projeto Capoeira Viva, no Museu da República, no Rio de Janeiro.

O seminário faz parte do projeto que repassará R$ 930 mil para iniciativas qualificadas que procuram fazer o reconhecimento da capoeira como uma das mais importantes manifestações culturais do país. Idealizado pelo Ministério da Cultura, com coordenação técnica do Museu da República e patrocínio da Petrobrás, o projeto apóia oficinas, pesquisas, acervos culturais, e atividades que usam a capoeira como instrumento de cidadania e inclusão social. O Capoeira Viva é o primeiro programa oficial de valorização e promoção da capoeira como bem cultural brasileiro.

O mediador dos debates foi o professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, da qual já foi diretor, e presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, que é autor do livro Um Vento Sagrado, que narra a trajetória de Agenor Miranda Rocha, professor e líder do Candomblé. A primeira palestra versou sobre A formação do mestre, ontem e hoje, com a participação do mestre Camisa (José Tadeu Carneiro Cardoso), fundador do Grupo Abadá-Capoeira e criador do CEMB, onde se desenvolve o projeto Capoeira Ecológica, que dividiu a mesa com mestre Moraes (Pedro Moraes Trindade), presidente fundador do Grupo de Capoeira Angola Pelourinho e com o mestre Suino (Elto Pereira de Brito), presidente-fundador do Grupo Candeias. No período da tarde, a palestra De arma da vadiagem a instrumento de educação reuniu a mestra Janja (Rosangela Costa Araújo), fundadora do Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil (Incab); mestre Luiz Renato (Luiz Renato Vieira), membro do Grupo Beribazu e do Centro de Capoeira da UnB; mestre Zulu (Antonio Batista Pinto), autodidata em Capoeira e Educação Física, pesquisador e autor do livro Idiopráxis de Capoeira.

O investimento quase milionário do projeto Capoeira Viva justifica-se também pela sua vertente sócio-econômica. A importância da capoeira hoje transcende a questão cultural, mostrando-se também importante bem econômico, que gera emprego e renda para muitos, além de abranger uma crescente indústria de artefatos relacionados à sua prática em escala planetária. Para se ter idéia de sua disseminação pelo mundo, e o conseqüente potencial econômico global, há grupos de capoeira espalhados por todos os países membros da ONU, a grande maioria deles com mestres brasileiros ou com mestres que estudaram com brasileiros. Há federações de capoeiras em vários países desenvolvidos, como França e Eua, por exemplo. Assim, além de importante elemento de identidade cultural brasileira, que cada vez mais se espalha pelo mundo, a capoeira brasileira tem gerado riqueza no Brasil e no exterior.

Saldando uma dívida histórica
O Museu da República foi escolhido pelo Ministério da Cultura para sediar este projeto pelo caráter simbólico que o ato promove. Na história da República no Brasil, o respeito aos princípios republicanos não foi a máxima adotada em vários períodos da vida política de nosso país. A Capoeira é um triste exemplo do não respeito à cultura brasileira, principalmente a dos mais pobres e dos negros, cidadãos do Brasil.

Dança, jogo, luta e expressão cultural dos negros escravos, foi perseguida pela Polícia do Estado Republicano, considerada ato criminoso, e associada a uma infinidade de preconceitos e atos discriminatórios. O Museu da República, que foi a sede da Presidência da República do Brasil, de 1897 a 1960, resgata esta dívida republicana e reconhece a Capoeira como uma expressão brasileira de valor imprescindível para o Patrimônio Cultural Nacional.

Países com tradições bem mais antigas, como a China em relação ao Kung Fu, por exemplo, já incorporaram à sua identidade cultural o que era tido, in illo tempore, como uma potencial ameaça à firmação de alguma forma de Estado. Na antiguidade deste país, os exércitos reais formados por praticantes de artes marciais estavam sempre no encalço de bandos de também lutadores que ofereciam algum tipo de desobediência, fosse brandamente na bandidagem, fosse ostensivamente na oposição direta ao Estado com a formação de grupos mercenários. Mesmo séculos mais tarde, durante a implantação da Revolução Cultural, os mestres e discípulos de artes marciais foram mantidos sob estreita vigilância pela Guarda Vermelha de Mao Tsé Tung. Hoje, os mestres vivos são considerados, pelo Estado, jóias da cultura chinesa.

No Brasil, tardou esta integração que agora parece definitivamente alavancada pelo projeto Capoeira Viva. Ficaram famosos bandidos românticos que lutavam capoeira e rodavam navalha, como o famigerado Madame Satã. Mas isso em um tempo em que, para eles, as armas possíveis eram só essas. Hoje, com AR-15s a garnel nos morros e vales, a capoeira já não assusta como há um século. Está pronta para libertar-se de vez do preconceito que a acompanhou e ganhar mais espaço no cotidiano brasileiro. Espera-se vê-la, cada vez mais, em áreas livres nas cidades, campos e praias, em estudos e publicações a seu respeito, nos grupos que se ramificam por todo planeta, no imaginário dos livros e filmes, nas matérias jornalísticas da grande imprensa e em todos os lugares em que ela possa ser, enfim, reconhecida como um tesouro imaterial de nosso povo, uma das jóias negras de nossa identidade.

Texto retorado da  públicação " Agência Carta Maior

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/editoriaMostrar.cfm?editoria_id=12

 

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Todas as minhas vidas - Lou de Olivier

  Todas as minhas vidas
(Conto de natal ficticio de Lou de Olivier escrito em 1999, publicado em diversos sites e jornais Brasil e Europa)

É difícil acreditar, mas descobri que o passado e o futuro são apenas partes do presente . O passado continua existindo e o futuro já está concretizado. São as pessoas que nascem e morrem e acabam conhecendo apenas uma parte e uma época do Universo. E, assim, ficam iludindo-se, imaginado serem criadores de tudo o que simplesmente já está lá. Acham que ajudam a construir o futuro ou tiveram alguma influência no que passou.

Foram poucos segundos, mas me transportei ao futuro, onde já vivo em outro corpo. Lá no futuro não há limites de espaço ou tempo, não existe dinheiro, ninguém precisa comprar nem pagar nada. Todos flutuam de um lado a outro sem necessidade de nenhum tipo de transporte. No futuro é possível comunicar-se apenas pelo pensamento, uma telepatia que dispensa telefones, Internets, e tantos recursos que, para quem vive o presente são fundamentais. E a vida parece abençoadamente eterna por uma energia indescritível.

Também fui ao passado. Usando um lindo e armado vestido azul tão claro, que quase era branco, caminho num grande bosque… O passeio pelo bosque deveria me dar paz mas, ao contrário, me deprime e amedronta. Parece não haver ninguém, nenhum ser vivo neste bosque, mas ouço algo, vozes, sons semelhantes a um bip e luzes. É difícil distinguir os sons e as luzes e nem sei de onde vêm. Tento entender o que estão falando, mas parece tudo tão confuso.

Penso que talvez falem sobre mim, comentem algo que aconteceu comigo e que, sei lá porquê eu não me recordo ou podem apenas falar coisas sem sentido e nada sobre mim. Continuo caminhando até avistar meu grande amor. Como sempre ele me espera, impaciente! Sorrindo, corro ao encontro dele: Um abraço forte, muitos beijos apaixonados e quase me esqueço das luzes, vozes e sons, que parecem aumentar cada vez mais. Um frio intenso envolve meu corpo causando calafrios. E os sons aumentam. Pergunto se ele sabe de onde vêm; ele apenas sorri e me beija novamente…

O futuro volta a me invadir e tudo parece tão melhor do que o passado que não resisto; vou ao futuro. Tento convencer meu amor a ir comigo e experimentar a sensação de total liberdade e elevação, mas ele se retrai. Diz que, no futuro, pertenço a outro e ele não quer interferir na minha decisão.

Começo a flutuar, minha fisionomia vai se modificando enquanto minhas vestes são substituídas por uma longo e esvoaçante vestido e torno-me mais uma habitante do futuro. Em meio a multidão procuro meu novo amor, mas não consigo encontra-lo… Sinto um pouco de saudade do passado, mas logo me integro a realidade do futuro, faço amigos, divirto-me ao perceber que também sou telepata e posso comunicar-me com todos sem sequer abrir a boca.

De repente percebo as mesmas luzes, vozes e sons do passado; aquele bip insistente e avisto um homem que me sorri. Está meio escuro, não consigo enxergar nitidamente sua fisionomia. A medida em que flutuo, vou me aproximando mais dele. Os sons e luzes ficam mais fortes.

Bem próxima dele, noto que ele é o mesmo homem do meu passado. Mas, se é ele mesmo, se foi ele o tempo todo, porque não veio comigo quando o chamei? Porque disse que eu teria que decidir com quem seguiria? E porque, estes sons e luzes sempre aumentam quando me aproximo dele? Ele nada responde, continua sorrindo, estende as mãos; tocando em meu rosto. Novamente sinto-me invadida por estranhos calafrios, tenho a sensação de estar girando no ar, mergulhando num abismo de prazer.

Finalmente ouço com nitidez a voz dele, que diz que está me perdendo e precisa reverter esta perda. Mas, estranhamente, ele fala no plural, como se não falasse só por si. Diz: "Estamos perdendo-a, precisamos reverter esta perda". As vozes se misturam aos sons do bip e não consigo entender o que ele quer dizer, a quem se refere. Sinto choques em meu corpo, tenho a impressão de que ele me sacode violentamente, enquanto grita para que eu reaja. Não sei que tipo de reação ele quer que eu tenha. Sinto-me frágil e magoada pela mudança brusca nas atitudes dele. Estava tão carinhoso de repente me sacode violentamente e grita, grita e aquele bip martelando meu cérebro…

Chorando, resolvo retornar ao passado. Acho que estava bem melhor lá. Dirijo-me à passagem, tento entrar mas não consigo. A passagem está fechada, tudo está muito escuro, o passado parece morto, extinto e já não posso retornar. Conformada resolvo instalar-me definitivamente no futuro, mas a passagem também acaba de fechar-se.

Tudo parece ter-se apagado, não há nenhuma luz e o bip agora tem um som muito longo e mais agudo do que nunca. As vozes continuam cada vez mais distantes, o homem que já não sei se amo continua me sacudindo e grita cada vez mais alto. "Por favor, não vá, volte para nós". Eu choro desesperada e não o entendo: Se me quer, se pede para que eu volte, porque me sacode e humilha?

Sinto um violento choque que parece agitar meu corpo todo. O bip começa a tocar de forma intensa e ritmada, as vozes parecem sussurros. A escuridão, aos poucos, dá lugar a uma neblina e, finalmente, vem a claridade. Olho ao redor, tudo está branco. Tento entender onde estou. Não há mais o bosque do passado, nem o espaço liberto do futuro. Há só um cômodo todo branco, cheio de aparelhos estranhos e luzes enormes num lustre gigante, pessoas vestidas de branco e o homem dos meus sonhos, que agora parece bem mais calmo. Aproxima-se e me ajeita na cama branca, dizendo: "Bem vinda de volta à vida e feliz natal!"

Tento comunicar-me por telepatia, não consigo; tento mover meus lábios para perguntar se aquela encenação toda foi um trote ou algo assim, mas meus lábios estão imóveis. Ele diz algo a alguém, sei que se refere a mim, mas não ouço direito e sai do cômodo. A cama começa a mover-se, duas pessoas a empurram por longos e brancos corredores. As pessoas vão comentando, enquanto empurram a cama:

- Que sorte, você viu? Depois de um capotamento como aquele, nenhuma fratura, nenhuma hemorragia, só uma parada cardíaca…
- Só parada cardíaca? Você acha pouco???

As pessoas riem, alguém passa por elas e diz:
- Feliz natal! - Para você também.
- Feliz natal!!!

Obviamente deve ser natal. Só não entendi ainda se é natal no passado ou no futuro. Ou talvez apenas seja natal no presente. Suspiro e avisto um anjo que sobrevoa o teto branco. Olho bem para ele e vejo o mesmo homem que estava no meu passado e no meu futuro. E que, há pouco, deu-me boas vindas e desejou-me feliz natal. Penso que deve ser mesmo um anjo, presente de Papai Noel.

Então finalmente adormeço…

criado por rosni.rosni    07:17:38 — Arquivado em: Crônicas - Lou de Olivier
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